sexta-feira, 2 de agosto de 2013



TRAVESSIA

Meu passo lento.
Minha voz na voz do vento.
Vai em forma de canção.
Vai falar ao teu coração.
Sou eu, amor.
A que te chegou em forma de flor.
A que te tocou com seu caminho de dor.

Estive atravessando um deserto.
Morria de sede, de calor.
Meu oásis!
Eu te encontrei.
Quando quase sucumbia.
Quando morria.

Me estendeste a mão.
Cai no teu colo bom.
Fui me despindo da couraça.
Mostrando minha desgraça.

E tu?

Tu me acolheste. 
Me sorriste.
Descobri-me na tua essência.
De fatos antigos tomei consciência.

Era te buscando e me purificando que atravessava os desertos.
Se meus passos foram incertos?

Não. Era pura expurgação e era também construção.

E acima de tudo uma busca.
Sim. Eu te buscava porque a luz do teu farol nunca se apagou no meu ser.
Acontecia, porém, que eu precisava passar pelo sofrer...
E um dia te encontrar.
Na verdade foi um reencontro.
Um reencontro em teu olhar.

sonia delsin 

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